Guitarrista extraordinário e dono de uma poderosa voz, Felipe Cazaux é um dos grandes bluesmen do Brasil e também lidera uma das melhores bandas de rock ‘n roll surgidas nos últimos anos, a Mad Monkees. Em carreira solo ele já tem três discos: Help the Dog! (2007), Good Days Have Come (2010) e Never Go Down (2013).
Nesse meio termo, em 2017 a Mad Monkees lançou seu primeiro álbum de estúdio, homônimo, e em 2019 disponibilizou nas plataformas a íntegra da apresentação ao vivo no Estúdio Show Livre. A carreira desse cearense é atravessada por grandes parcerias, como Don L; Marcelo 2Hum; De Blues em Quando; Emmily Barreto, da Far From Alaska, entre outros e outras.

Cazaux não para. Praticamente todas as noites está tocando em algum lugar de Fortaleza, isso quando não cai na estrada para participar de festivais fora do Ceará. Frequentemente participa de outros projetos musicais paralelos ou coletâneas, e é nesses projetos que fica mais evidente o quanto ele pode ser multifacetado, experimentando outras influências como jazz, soul, funk rock, música popular brasileira e antropofagias nordestinas. É tanta correria que tem faltado tempo para que ele possa se dedicar “exclusivamente” a um só trampo. Certamente é por esse e outros motivos que o segundo álbum da Mad Monkees está demorando para sair. Mas vai sair, ele garante.
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A Larica bateu um papo com Felipe sobre as suas influências musicais. Essa curiosidade é meio clichê, mas é impossível evitá-la. Quando admiramos um artista da música, queremos saber o que ele ouve e o que formou a sua essência. Foi exatamente acerca dessa última questão que nós perguntamos ao Felipe quais são os cinco discos mais marcantes na sua trajetória.
Os cinco discos mais marcantes para Felipe Cazaux

From The Cradle – Eric Clapton
Lançado no ano de 1994, “From The Cradle” é uma reverência de um dos maiores guitarristas da história ao blues, gênero considerado a raiz do que viria a se tornar o rock, o soul, o R&B, o pop e derivados. Nas 16 faixas, Clapton explora variações do blues com muito sentimento, afinal, o britânico nunca escondeu que o blues é a razão da sua vida dentro e fora dos palcos.
“Foi o primeiro álbum de blues que me apaixonei, sei as músicas de cor, toco várias delas e foi um aprendizado pra iniciar no estilo”.

Black Sabbath – Black Sabbath
Em 1969, a então desconhecida banda inglesa Black Sabbath entrava no estúdio para gravar seu primeiro disco, chamado Black Sabbath e carregado de uma aura sonora e estética sombria, provavelmente influenciada pelo clima cinza e nebuloso dos bairros operários de Birmingham, onde eles cresceram. Em 1970, oficialmente, Ozzy Osbourne (vocal), Tony Iommi (guitarra), Geezer Butler (baixo) e Bill Ward (bateria) lançavam Black Sabbath, com 8 faixas, uma capa sinistra que se tornaria icônica e a partir dali passaria a ser considerado o disco que “inventou” o heavy metal.
“Esse álbum é muito especial para mim. Foi quando eu quis aprender a tocar guitarra. As músicas me marcaram demais, eu ouvia no repeat e até hoje fico arrepiado com a sonoridade. Não é à toa que é minha banda favorita”.

Band of Gypsys – Jimi Hendrix
Após a repercussão da impactante apresentação de Hendrix no Woodstock, o virtuoso músico norte-americano começou a compor para seu novo disco. Em 1970 ele lança Band of Gypsys, que foi gravado ao vivo e acentua um Hendrix influenciado pelos grooves do funk e da soul music. Essa apresentação é o puro suco das jams que Jimi gostava de gastar para deleite dos fãs. Infelizmente, um dos maiores guitarristas da história faleceria alguns meses depois.
“Foi o álbum onde eu fiquei totalmente hipnotizado quando ouvi. Lembro do meu tio e meu pai me explicando sobre Machine Gun, onde Hendrix imitava uma metralhadora na guitarra pra criticar a guerra no Vietnã. Ele também me cativou o interesse por improviso. A banda é incrível e faz soar tão fácil”.

“Black Album” – Metallica
Em 1991 parecia que o momento do mercado fonográfico não era ideal para heavy metal. O grunge alcançava seu ápice no mainstream e um tipo de pop enlatado surgia para, poucos anos depois, se tornar avassalador com a febre das boy bands, sem contar que ícones como Madonna e Michael Jackson ainda quebravam recordes de popularidade. Contudo, em meio a esse contexto aparentemente desfavorável, a já consagrada banda Metallica conseguiria a façanha de estabelecer mais um marco na história do rock ao lançar um disco sem título e que logo emplacaria vários hits clássicos. Com uma capa totalmente preta, a logo da banda num canto e o desenho de uma cobra no outro, o álbum não tinha nome, por isso os fãs “batizaram” de Black Album, uma alusão ao White Album dos Beatles. Para ter uma ideia, as faixas “Sad but True”, “Nothing Else Matters”, “Enter Sandman” e “The Unforgiven” são apenas um aperitivo da grandeza desse disco.
“Foi importante demais para mim também, me causou um impacto gigante desde o primeiro acorde. Deve ser um dos álbuns mais bem gravados da história do rock, com timbres perfeitos para músicas perfeitas. Gosto de tudo, desde os solos de guitarra às vozes imponentes, e o som da batera é incrível”.

Chaos A.D. – Sepultura
Dois anos após o Metallica lançar o “Black Album”, foi a vez do Brasil mostrar sua potência no metal com o lançamento de Chaos A.D., quinto álbum da banda Sepultura, indiscutivelmente a maior banda brasileira de heavy metal e uma das maiores do mundo. Se por um lado o disco Roots se tornaria um divisor de águas na história do metal em função da mistura de elementos percussivos afro-brasileiros e indígenas, Chaos A.D. foi o que plantou essa semente dois anos antes, pois nele já se percebe, pontualmente, a busca por essa antropofagia sonora, com redução de velocidade, grooves mais evidentes, riffs mais simples e as primeiras experimentações instrumentais ao longo de 13 faixas. Chama atenção também dois covers improváveis: “The Hunt”, do New Model Army, e “Polícia”, dos Titãs.
“Melhor álbum já gravado por uma banda brasileira. Traz uma sonoridade perfeita com influência da música brasileira, timbres de guitarra incríveis, Max no auge do seu vocal e as letras que tratavam dos problemas sociais com críticas ao sistema e seus tentáculos. Uma obra prima da música brasileira”.