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Sociedade

Grupo de artistas de São Luís lança fanzine para circular arte fora da ‘lógica algorítmica’
Sociedade, Vídeos

Grupo de artistas de São Luís lança fanzine para circular arte fora da ‘lógica algorítmica’

O desassossego perante uma sociedade cada vez mais algorítmica e menos tátil, especialmente nas artes e nas culturas, motivou um grupo de artistas de São Luís a produzir um fanzine que - tamanho não é documento! - tem potencial para sacudir certas estruturas da capital maranhense sem receio de ferir egos e, principalmente, sem ter que depender apenas das estratégias "adoecedoras" de engajamento das redes sociais. Segundo o escritor e compositor Felipe Costa Cruz, editor do projeto, o Jirau nasceu do "extinto de sobrevivência" de quem se nega a se "diminuir para caber nas redes" e a "negociar propostas estéticas para satisfazer demandas algorítmicas". No editorial da Edição Zero, o recado é claro e direto: "Nosso assalto é tríplice: crítica cultural - arte - política. Crítica, palavra tabu ...
Descobri feridas que ainda sangram na minha mãe ao entrevistá-la
Sociedade

Descobri feridas que ainda sangram na minha mãe ao entrevistá-la

Cinco dias antes ela já tinha avisado numa postagem no Facebook: “Não quero nem presente nem parabéns pelo dia das mães, porque eu não sou mãe só uma vez por ano”. Então pensei numa experiência inédita para nós dois. Hoje, “dia das mães”, fui até a casa dela, levei um vinho tinto e disse: “Mãe, senta aqui, eu vou entrevistar a senhora”. Rascunhei algumas perguntas e subimos para o andar de cima enquanto meu irmão ficou na cozinha preparando o almoço. Pensei que haveria rejeição da parte dela, como geralmente acontece quando a convido para termos um tempo juntos fazendo alguma coisa fora do cotidiano, tipo assistir um filme ou ouvir música bebendo (são ocasiões raríssimas). Mas, dessa vez, ela topou sem fazer objeção. Perguntou apenas se ia demorar, como sempre faz. Depois subimos para o an...
Gislaine Oliveira investiga a resistência do povo brasileiro ao comunismo
Sociedade

Gislaine Oliveira investiga a resistência do povo brasileiro ao comunismo

Quando eu era pequena não gostava de salada. Tinha verdadeiro asco. Não entendia como algumas pessoas diziam que sentiam vontade de comer aquilo. Isso porque, pra mim, salada era única e exclusivamente aquela mistura de alface murcho, tomate, cebola, vinagre e sal que a minha mãe, que também não gostava de salada, fazia. Só depois que saí de casa, mudei de estado, conheci outros jeitos de comer legumes e verduras é que eu entendi que eu gostava de salada. E pior, era das pessoas que sentiam vontade de comê-la. Foi quando eu entendi que havia misturas que combinavam mais, diversos tipos de molhos, saladas quentes e frias, só depois de ter desfeito aquela imagem fixa que guardava da infância é que eu entendi que “salada” tinha muitas configurações disponíveis. Do meu ponto de vista, essa ...
“A Liberdade sexual feminina no mito da deusa Lilith”, por Rosângela Macedo
Sociedade

“A Liberdade sexual feminina no mito da deusa Lilith”, por Rosângela Macedo

Primeiro é importante observar que Lilith é um mito da tradição judaica e não da tradição cristã. Considerada a primeira mulher de Adão, ela reivindicou seu direito a ficar por cima na relação sexual. Por isso foi expulsa do Paraíso, virou “demônio” e, então, Deus criou Eva como a parceira de Adão. Eva, submissa e obediente a Deus e ao seu companheiro. Lilith é, portanto, o arquétipo da mulher marginal, excluída porque não se submeteu às regras patriarcais, aquelas que nos impediram de vivenciar nossos instintos e desejos sexuais de forma saudável. Ela era a senhora dos seus próprios desejos, mulher livre, independente, corajosa e que sabia dizer “não” às situações de abuso, de poder e de desrespeito. Portanto, foi expulsa do Paraíso, considerada perigosa e colocada na categoria de “dem...
Júlia Maia confronta a sociedade machista e exibe suas ‘feridas escondidas’
Sociedade

Júlia Maia confronta a sociedade machista e exibe suas ‘feridas escondidas’

Já tinha 12 anos quando descobri que a vulva era mais do que o risco vertical que eu conseguia visualizar em pé na frente do espelho. Não refletia, mas desconfiava que se eu tocasse ali, uma sirene vermelha e barulhenta seria acionada. Realmente era oculto. Mas sujo, vergonhoso e perigoso eu só tinha ouvido falar. Nossa sexualidade se forma assim, cercada de culpa, mas voraz. Apesar das amarras, o corpo tem instinto, é sábio, intuitivo, visceral. Mas normalmente a gente sente que é traiçoeira. Perigosa. Ludibriosa. Não só a vulva, mas tudo que envolve a energia feminina, sexual e criativa, que é reprovável em todos os corpos. Não é à toa que uma das primeiras histórias que aprendemos na infância ainda seja Chapeuzinho Vermelho. Chapeuzinho é dona de um corpo arriscado, caso esteja no...
Norma Góes reflete sobre a frágil idealização do mito da mulher guerreira
Sociedade

Norma Góes reflete sobre a frágil idealização do mito da mulher guerreira

“A Pérola é produto da dor” As Negras escrevivências nos conduzem a um lugar de dor. Envoltas no engodo da beleza das batalhas, em constante guerra, parimos lágrimas e recomeços. Eu sempre considerei a escrita como um parto. O broto do desejo de escrevinhar germina quer seja pela beleza de um convite ou pela necessidade de expurgo… Da concepção às contrações do nascimento. Um dia desses reli algo sobre as pérolas, a correlação entre beleza e dor e a romantização do Mito da Guerreira, onde todo fardo é belo (mas e o falo?). “A pérola, ferida cicatrizada, quando um corpo estranho (um grão de areia) invade o interior da ostra ferindo o nácar, parte brilhante e leitosa interna, cria camadas e camadas sobre esse corpo para proteger a ostra, resultando em uma pérola, é um processo len...
“Quando The Last of Us deu visibilidade à pobreza menstrual”, por Luana Cabral
Sociedade

“Quando The Last of Us deu visibilidade à pobreza menstrual”, por Luana Cabral

The Last of Us, série apontada por muitos como melhor adaptação de um jogo de vídeo game para a televisão, tem se destacado por dar tempo de tela a fatores mais humanos que o de costume dentro de uma obra de ficção pós-apocalíptica. Dentre muitas das pautas tidas como tabus ou impopulares para os homens geeks de plantão, a mais nova queridinha da HBO Max, em seu 6º episódio, de nome “Parentesco”, aborda, de forma espontânea, o primeiro contato da protagonista Ellie (Bella Ramsey) com um coletor menstrual, dispositivo de silicone que, mesmo causando questionamentos e estranheza nos dias atuais, foi inventado há mais de 80 anos, é reutilizável, possui benefícios cientificamente comprovados e dispensa o uso de absorventes e OB’s – engenhosidade fundamental para quem está lidando com o fim do ...
Cajazeiras, no Sertão da Paraíba, realiza sua primeira Parada LGBTQIA+
Sociedade

Cajazeiras, no Sertão da Paraíba, realiza sua primeira Parada LGBTQIA+

Pelo quarto ano consecutivo, o Brasil é o país que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo, de acordo com o novo relatório do Observatório de Mortes e Violências contra LGBTQI+ divulgado em maio de 2022. Só em 2021, foram 316 crimes motivados por LGBTfobia, sem contar a subnotificação. Se levarmos em conta somente os assassinatos de travestis e pessoas trans, o país está há 13 anos consecutivos no topo da lista. Ser pessoa LGBTQIA+ no Brasil é lutar para sobreviver todo dia. É sair de casa com a aterrorizante chance de não voltar viva. Muitas vezes é não ter sequer um lar. E para piorar, é ter que enfrentar nos últimos quatro anos um governo homofóbico e sanguinário. No meio desse extermínio estrutural, engajar-se ao invés de esconder-se é uma forma não só de resistir, mas principalmente de...