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Literatura

“Três momentos até me encantar com a obra de Caio Fernando Abreu”, por Dorgival Fernandes
Literatura

“Três momentos até me encantar com a obra de Caio Fernando Abreu”, por Dorgival Fernandes

Caio Fernando Abreu é hoje um pop star da internet. Frases suas, tiradas de contexto, e frases não suas, mas atribuídas a ele, desfilam com força e glamour pelas redes sociais, atribuindo-lhe um tom de escritor de autoajuda, coisa que ele nunca foi e nem fez, ferindo-se assim a sua memória e o seu legado literário. Tive três momentos aproximais até me encontrar, de fato, com a obra de Caio. O primeiro momento foi imperceptível e na mediação, ao ler o livro de Marcelo Rubens Paiva, Feliz Ano Velho. Caio foi o revisor desse livro e há quem diga que tal revisão foi uma reescrita do livro. Damos tão pouco crédito e atenção a revisores! O segundo foi uma entrevista de Caio ao Jô Soares e foi marcado por tremenda identificação, fascínio e amedrontamento: ele tinha AIDS e eu tinha pavor del...
O multiartista Beto Ehong percorre lembranças e delírios com o poeta Celso Borges
Literatura

O multiartista Beto Ehong percorre lembranças e delírios com o poeta Celso Borges

A posição da poesia é a oposição, é com esse poema cortante feito sarau cerol cobra cascavel chocalho e veneno muito além do papel que tento, em meio a saudade e alegria, sobre um futuro de coração antigo, percorrer lembranças e outros delírios que fizeram passar no meu caminho o poeta Celso Borges, ou CB, como era costumas citado em meio às rodas boêmias regadas a papos e outras letras dentro da noite e dia etílica, fulminante, revolucionário que grita o verbo louco de rasgar a verba, delicado feito uma lua cheia desabando na calçada. Conheci CB em uma das várias noites percorridas na ilha de São Luís, cidade que ele amava tanto a ponto de afundá-la em sua poesia quase por completa, sem deixar escapar nada, ou quase tudo noves fora nada, da Ponta D’areia à baba do boi estalando seus pá...
Tempo e existência na leitura de 7 poemas de Nágila de Sousa Freitas
Literatura

Tempo e existência na leitura de 7 poemas de Nágila de Sousa Freitas

Quando terminamos de ler “O Poema é mais belo que o título”, segundo livro de poesia da cearense Nágila de Sousa Freitas (31), publicado em 2020 pela Editora Arribaçã, tivemos muita dificuldade para selecionar apenas sete poemas que consideramos arrebatadores para postar aqui, dada a quantidade de poemas que nos arrebataram ao longo de 95 páginas. Para facilitar nossas escolhas, definimos um critério: poemas que dialogam com o momento que estamos vivendo. Mas, afinal, o que seria um poema arrebatador? Em síntese, um poema arrebatador é um tapa na cara seguido de vertigem. E parece que Nágila não sabe ser meio termo. Gostamos quando o ofício de escrever não é apenas um afago na alma, mas também um dedo na ferida. E mesmo quando Nágila parece aliviar a pressão sobre a fissura, é inegáv...
O escritor Felipe Costa Cruz estreia na Larica Magazine com o conto “Corredor Onze”
Literatura

O escritor Felipe Costa Cruz estreia na Larica Magazine com o conto “Corredor Onze”

O que diabos é que motiva esse guri a urinar nas covas? Por que ele faz isso? Vem quase todos os dias e manda ver. Mija numas quatro, cinco lápides… acho que seu recorde foi sete. Fico olhando de longe. A primeira vez que vi, reclamei: ô, moleque! Para com isso, rapaz! Ele saiu correndo. Não fui atrás, não. Tenho um problema na perna que me impede de andar direito. Mas o menino… moço! Que peste! Todo dia, no mesmo horário, ele vem com essa; já sei onde estuda – veste sempre uma farda. Provavelmente o cemitério é caminho da sua casa… ou será que faz um desvio proposital, o peralta? Não sei, realmente. Mas percebi que ele rega sempre as mesmas sepulturas, se é que eu posso dizer isso; notei lá pela quinta vez que a coisa não era aleatória, existiam prediletos: os últimos defuntos do corredor...
“O amor de trás pra frente”, por José Wilamy Cosme Rabêlo
Literatura

“O amor de trás pra frente”, por José Wilamy Cosme Rabêlo

Ele conhecera o amor. Mas, às vezes, chorava de medo. Era tão bom tudo aquilo. Achara um delírio, uma ilusão, um sonho lindo. Seu amor era um livro escrito na solidão das memórias, dos mais doces encontros, da saudade feroz das paixões proibidas, das lágrimas tristes derramadas dos olhos. Algo singular era o amor para ele. Tratava-o sempre com muito zelo e respeito, e desse modo achava-o divino. O sonho de sua vida foi encontrá-lo. Sentia-o perto, mas ainda não tinha acendido aquela chama em seu espírito, o fogo que acende e aquece a vida. Ouvia muitas histórias de quem não soube amar, dos que se amaram e amando enrugaram-se os corpos, as feições; o tempo já havia roubado muitas estações, mas o amor permanecera. O amor de dentro para fora jamais fora vencido. Muitos lembravam desse amor...
A paulistana Phi Pereira indica “O Apanhador no Campo de Centeio”
Literatura

A paulistana Phi Pereira indica “O Apanhador no Campo de Centeio”

Algumas vezes penso que tudo podia ser explicado usando cores. Quando toco a nota Lá, posso dizer até que vejo a cor rosa. Já quando escuto um Dó, certeza que é azul. Comentei uma vez sobre isso com um dos muitos professores de música que já traumatizei. Na época ele respondeu algo sobre deixar isso de lado porque existem regras e tentar inovar só iria dar trabalho para outras pessoas, isso se eu chegasse a fazer parte de uma banda. Concordando ou não, felizmente ou não, não cheguei nessa etapa, por isso meu contrabaixo teve uma aposentadoria prematura, muito por falta de empenho da minha parte ou falta de talento, por mais que eu não seja tão fã dessa palavra. E “O Apanhador…” nisso tudo? Bem! Acredito que é possível saber muito sobre alguém através dos seus livros preferidos. Esse é o...