“Três momentos até me encantar com a obra de Caio Fernando Abreu”, por Dorgival Fernandes
Caio Fernando Abreu é hoje um pop star da internet. Frases suas, tiradas de contexto, e frases não suas, mas atribuídas a ele, desfilam com força e glamour pelas redes sociais, atribuindo-lhe um tom de escritor de autoajuda, coisa que ele nunca foi e nem fez, ferindo-se assim a sua memória e o seu legado literário.
Tive três momentos aproximais até me encontrar, de fato, com a obra de Caio. O primeiro momento foi imperceptível e na mediação, ao ler o livro de Marcelo Rubens Paiva, Feliz Ano Velho. Caio foi o revisor desse livro e há quem diga que tal revisão foi uma reescrita do livro. Damos tão pouco crédito e atenção a revisores!
O segundo foi uma entrevista de Caio ao Jô Soares e foi marcado por tremenda identificação, fascínio e amedrontamento: ele tinha AIDS e eu tinha pavor del...





