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A tatuadora Larissa Gabriel mostra as veias abertas do seu estilo minimalista

Certa vez, em meados de 2016 ou 2017, encontrei Larissa por acaso passeando com seu cachorro em frente à quitinete onde eu morava no centro de Cajazeiras. Sentamos num banquinho de praça no largo da prefeitura e papeamos durante uma hora. Naquela época Larissa já dava sinais de que seu destino seria além-sertão. Seus dias nessa pequena cidade estavam contados, ainda que ela não previsse ou desejasse o futuro. Seu olhar fugaz e seu caminhar sem pressa disfarçavam o que estava por trás: a necessidade iminente de se descobrir e se realizar.

Foi aí que Larissa partiu rumo à capital, alugou apartamento, cursou Design de Interiores (mas nunca exerceu a profissão) e se tornou tatuadora. Desde então vem desenvolvendo um estilo marcado pelo traço minimalista que transita entre o rabisco, o esboço e as linhas contínuas que percorrem o corpo como veias que se conectam.

Larissa fazendo o que ama – Crédito: Arquivo Pessoal / Instagram
Larissa fazendo o que ama – Crédito: Arquivo Pessoal / Instagram

Veias são dutos por onde o sangue retorna dos vários tecidos do corpo para o coração (me perdoem os biólogos pela síntese). Traçando um paralelo, as “veias” de Larissa Gabriel podem ser interpretadas como a conexão do indivíduo consigo mesmo num ciclo de autodescoberta. Veias são caminhos, por isso também chamamos as ruas de artérias das cidades. O minimalismo das tatuagens de Larissa, mais do que um estilo, pode ser reflexo dela própria. Larissa chamou de “Correntezas” o portfólio que ela me mandou com corpos tatuados. Veias e correntezas se complementam. Uma é o caminho por onde a vida passa. A outra é o fluxo da própria vida.


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Tatuar é amor, vício ou fuga?

As três opções e também um ofício.

Ficar na vida de alguém feito tatuagem ou ser perecível como desenho de giz na chuva?

A vida por si só já é perecível, então que possamos marcar essa vida como uma tatuagem.

Qual correnteza da vida você tem medo que te leve e em qual você mergulha de cabeça?

Nem medo, nem mergulhar de cabeça. Tudo segue seu curso.

O que você injetaria nas veias da humanidade?

Empatia. Todo o resto se cura.

Que conselho a Larissa má daria para a Larissa do bem e que conselho a Larissa do bem daria para a Larissa má?

Ambas diriam “corre”.

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