Quem se compromete a produzir cinema independente no Brasil tem consciência do tamanho do desafio que vai encontrar pela frente. E quem opta pela ficção científica, gênero ainda pouco explorado pelos cineastas brasileiros, elevou ainda mais o nível de ousadia. Embora a gente já tenha percebido que as produções brasileiras de ficção científica estão crescendo (e temos que reconhecer que parte disso é graças ao advento das empresas de streaming), esse gênero ainda está engatinhando no país, se comparado a outros. E se a ficção científica for produzida no Sertão nordestino, essa gente já merece um Oscar.
Estamos falando de uma equipe de apaixonados pelo audiovisual na Paraíba que está produzindo a primeira ficção científica distópica cyberpunk do Sertão do estado. Com direção de Eriko Renan e Maycon Carvalho, o curta-metragem “Extinção” está em fase de acabamento e a estimativa dos diretores é que ele seja lançado até abril deste ano. O plano é que a estreia aconteça em uma sessão pública na praça central da cidade de São José de Piranhas, onde o filme foi gravado.

A Larica Magazine conversou com o diretor e roteirista Maycon Carvalho sobre os últimos preparativos do filme. São cerca de trinta pessoas envolvidas, entre atrizes, atores e produção técnica. “Estamos trabalhando duro para finalizar. Estamos agora na cor. Logo a gente quer lançar ao mundo”, contou o diretor.
“Extinção” é produzido pela Incartaz Filmes e coproduzido pela Covil Audiovisual, Pantim Produções e Maquieira Produções. O projeto é possível graças a recursos do edital “Parrá (Severino Ramos de Oliveira)” e apoios da Secretaria de Estado da Cultura, Prefeitura de São José de Piranhas e Lei Aldir Blanc do Estado da Paraíba.

Distopia, cyberpunk e um alerta
Entre aventura e drama, o curta mistura elementos do cyberpunk com estética pós-apocalíptica para alertar sobre a desigualdade social causada pela deterioração do meio ambiente. “Como o gênero propõe expor aspectos distorcidos de uma realidade, criamos uma atmosfera inesperada para o Sertão nordestino, onde há plataformas de lançamento de foguetes em meio à desertificação e poeira tóxica”, diz o release.
Enquanto a Terra sofre um colapso ambiental, uma organização chamada Cattle Space Corporation governa o que resta da humanidade e executa voos para fora do planeta em direção à ARCA, uma estação orbital para onde são levados os ricos e alguns criminosos de guerra que recebem cortesia.
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A esperança dos excluídos está em um grupo de rebeldes que tenta executar o plano “Extinção”, cujo objetivo é destruir a Cattle Space Corporation e encontrar Saruê, um paraíso mitológico onde o Sertão é verde e abundante em água e biodiversidade.
Para executar o plano com sucesso, a hacker Gina (Norma Góes), de dentro do seu bunker cibernético, engendra uma rede de conexão com o mundo exterior e tenta localizar o que há de vulnerável no sistema da Cattle Space Corporation. Enquanto isso, a misteriosa “Sem Rosto” (Alhandra Campos) vaga pelo deserto colhendo dados que ela envia para Tebas (Carminha Abrantes), uma cientista que é peça-chave para converter as informações em possíveis coordenadas que levem a Saruê.

“A força que merece”
“É a mesma premissa do mundo pós-apocalíptico ocasionado pela degradação dos recursos naturais, mas a estética é diferente”, contou Maycon Carvalho. “Esse filme precisa de tudo pronto para ter a força que merece. Sem dúvidas, o que queremos é espalhar essa história pelo mundo e fazê-la chegar em mais pessoas”, completa.
Maycon é cearense de Pacajus e radicado na Paraíba há 10 anos. Trabalha no Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB) da cidade de Sousa, no Sertão paraibano, e faz faculdade de Rádio e TV em João Pessoa, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Já o diretor Eriko Renan é pernambucano da cidade de Garanhuns. Durante a pandemia, ele precisou voltar para sua terra, mas continuou trabalhando com audiovisual em parceria com Maycon.
