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Cajazeiras, no Sertão da Paraíba, realiza sua primeira Parada LGBTQIA+

Pelo quarto ano consecutivo, o Brasil é o país que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo, de acordo com o novo relatório do Observatório de Mortes e Violências contra LGBTQI+ divulgado em maio de 2022. Só em 2021, foram 316 crimes motivados por LGBTfobia, sem contar a subnotificação. Se levarmos em conta somente os assassinatos de travestis e pessoas trans, o país está há 13 anos consecutivos no topo da lista. Ser pessoa LGBTQIA+ no Brasil é lutar para sobreviver todo dia. É sair de casa com a aterrorizante chance de não voltar viva. Muitas vezes é não ter sequer um lar. E para piorar, é ter que enfrentar nos últimos quatro anos um governo homofóbico e sanguinário.

No meio desse extermínio estrutural, engajar-se ao invés de esconder-se é uma forma não só de resistir, mas principalmente de conquistar espaços e direitos. É aqui que entra, por exemplo, a importância das paradas LGBTQIA+ pelo mundo, estendendo e tremulando nas avenidas a bandeira do arco-íris como uma afronta aos inimigos e como um manto de acolhimento a quem ainda se sente sozinhe.

1ª Parada da Diversidade em Cajazeiras (PB) – Foto: Henrique Cartaxo
1ª Parada da Diversidade em Cajazeiras (PB) – Foto: Henrique Cartaxo

No dia 26 de agosto, a cidade de Cajazeiras, no Sertão da Paraíba, com 62,5 mil habitantes, considerada um berço de arte e cultura e polo educacional da região, realizou a sua 1ª Parada da Diversidade, que fez parte da programação do Dia Municipal de Combate à LGBTfobia, promovida pela Gerência Municipal dos Direitos LGBT. Além do desfile que saiu da Praça João Pessoa, no Centro, até o largo da prefeitura, o dia contou com outros eventos, como encontros para discussão sobre LGBTfobia e violência contra as mulheres; ginástica na praça, roda de capoeira, música ao vivo, DJ’s e uma sessão especial sobre combate à LGBTfobia na Câmara de Vereadores.


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Um bandeirão colorido foi aberto aos pés da escadaria do Açude Grande. Essa escadaria leva a uma cruz de madeira às margens do manancial. Cruz essa que, como todas as cruzes de pequenas cidades cujos conservadores ainda tentam manter o ar provinciano – às vezes medieval -, está lá para avisar aos “pecadores”: Comportem-se, este lugar é cristão! Além de uma baita hipocrisia, essa vigilância ignora quem Jesus Cristo realmente era, segundo os relatos bíblicos: um cara gente boa que só queria que as pessoas fossem felizes em paz, sem julgamentos demagogos nem caça às bruxas.

Drag na 1ª Parada LGBTQIA+ de Cajazeiras (PB) – Foto: Henrique Cartaxo
Drag na 1ª Parada LGBTQIA+ de Cajazeiras (PB) – Foto: Henrique Cartaxo

O dia foi de festa, mas também de alerta. Afinal, cerca de 92% das pessoas de 18 anos ou mais que se declaram lésbicas, gays ou bissexuais no Brasil, relataram ter percebido o aumento da violência contra a população LGBTQIA+, conforme pesquisa da organização Gênero e Número, com apoio da Fundação Ford. Apesar dos pesares, de São Francisco (EUA) a Cajazeiras, a purpurina haverá de continuar brilhando, não importa quanto o ódio e a intolerância tentem atravancar o caminho.

A Larica Magazine registrou o momento em que a bandeira da diversidade foi desfraldada na primeira Parada da Diversidade de Cajazeiras, e vocês podem ver no vídeo a seguir.

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