Envie conteúdo para laricamagazine@gmail.com

No dia do rock, listamos 13 bandas que nunca tocaram no Rock in Rio

Entre críticas e elogios, entre acertos e vexames, o Rock in Rio Brasil chega à sua 9ª edição em 2022 ainda como o maior festival de rock e pop do país e um dos maiores do mundo. De 1985 – ano da primeira edição – até 2019, passaram pelo palco principal algumas das atrações mais icônicas da música mundial, sobretudo levando em consideração cada época. Por outro lado, há uma lista de bandas e artistas gigantes que nunca se apresentaram no festival do empresário Roberto Medina.

Puxamos pela memória pelo menos 13 super atrações que nunca subiram no Palco Mundo. Uma delas – talvez a maior de todas – não está mais entre nós. Outras só poderão vir se tivermos improváveis reuniões, afinal as bandas já acabaram. Com exceção do U2 e da Lady Gaga (cujas respostas nós já temos), os motivos do senhor Roberto Medina nunca ter contratado certas atrações nos é desconhecido.

Palco Mundo do Rock in Rio 2024 no Brasil – Crédito: Ariel Martini

O que sabemos é que a ausência de alguns ícones e a insistência em repetir outros se tornou também uma marca do Rock in Rio. Tanto é que quando The Who foi anunciado em 2017, quase não acreditamos, e até passamos a ter mais esperança nos line-ups. Leda ilusão! Bandas como Guns N’ Roses e Iron Maiden, por exemplo, seguem sendo “sócias majoritárias” do festival enquanto outras nunca deram as caras. Embora tenhamos muito respeito por essas duas bandas – por tudo que representam para a história do rock -, já chega, né, Medina!?

Listamos em ordem alfabética 13 bandas e artistas internacionais gigantes que nunca tocaram no Rock in Rio Brasil. Algumas dessas atrações ainda estão em atividade e por isso, quem sabe, podem vir um dia. Então fica a dica para os organizadores!

A primeira banda da lista é um dos expoentes do indie rock e que nos últimos vinte anos foi subindo de patamar comercial e de popularidade até se tornar headline de outros grandes festivais, como o Lollapalooza e o Glastonbury. Sei que para muitos aqui, considerar os garotos de Londres uma banda gigante pode ser exagero da nossa parte. Mas é fato que o Arctic Monkeys já conquistou apelo popular de massa e uma legião de fãs em todo o mundo, capaz de encher arenas não só em festivais, mas em turnê individual também. Os shows são uma verdadeira catarse em que o público canta a plenos pulmões cada música, entre gritos histéricos e lágrimas apaixonadas.

Alguns dados podem ilustrar esse fato. Por exemplo: o primeiro álbum, “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not”, lançado em 2006, foi o disco de estreia que vendeu mais rápido na história das paradas de sucesso britânicas. Desde então, cada novo álbum é aguardado pelo público e pela crítica especializada com uma expectativa rara hoje em dia, coisa que só bandas cultuadas promovem. Exageros à parte, em 2013 a revista Rolling Stone nomeou o primeiro álbum deles como o 30º melhor de todos os tempos.

Nove edições do Rock in Rio já se passaram e uma das bandas mais icônicas de todos os tempos nunca colocou a língua no Palco Mundo. E mesmo depois que o festival passou a dedicar uma das noites ao heavy metal, os caras-pintadas de New York, liderados por Paul Stanley e Gene Simmons, ainda não pisaram por lá – e olha que a banda foi formada em 1973. Eu sei que alguns podem alegar que Kiss é uma banda de hard rock. Mas ela cabe na noite do metal tranquilamente.

Lady Gaga

Uma das maiores divas do pop na atualidade havia sido confirmada no Rock in Rio de 2017, mas cancelou o show na véspera e foi substituída em cima da hora pela banda Maroon 5. A própria Gaga explicou nas redes sociais que o cancelamento foi devido a fortes dores que ela sentia, causadas pela fibromialgia. Uma postagem de Gaga em que ela afirma estar devastada por ter que cancelar o show acabou virando meme na época: “Brazil, I’m devastated”.

Led Zeppelin

Embora o Zeppelin tenha encerrado as atividades em 1980 (cinco anos antes da primeira edição do Rock in Rio), sabemos que não é raro haver reuniões de bandas extintas para tocar em festival ou em turnê. Em 2007, quando ninguém mais acreditava, eles se reuniram para um único show em Londres, o Celebration Day, que depois se tornou um filme-concerto e um álbum ao vivo. Nem sempre é possível convencer uma banda extinta a se reunir novamente oferecendo “apenas” grana. A missão do Medina, nesse caso, seria quase impossível. Quem sabe ele até já tenha tentado, sem sucesso. Mas, pelo sim e pelo não, a lendária banda de Robert Plant, Jimmy Page, John Paul Jones e John Bonham figura aqui nessa lista de faltosos.

Madonna

A rainha do pop, que recentemente completou 64 aninhos, nunca se apresentou no Rock in Rio. No Brasil, já fez vários shows apoteóticos. Talvez ela seja do tipo que só faz turnês próprias, ou seja, evita festivais (nessa lista citaremos uma banda que é assim). Algumas “afilhadas” da rainha, como Britney Spears, Katy Perry, Beyoncé, Rihanna e Lady Gaga, já passaram pelo Palco Mundo. Enquanto isso, a gente segue esperando pela Louise Veronica Ciccone.

Michael Jackson

Da rainha para o rei. O maior artista pop de todos os tempos, autor do álbum mais vendido da história (Thriller), nos deixou em 2009 sem ter se apresentado no maior festival do Brasil. Provavelmente esse show jamais aconteceria porque Michael é maior do que qualquer festival que já tenha existido ou que venha a existir.

O mais próximo que os fãs puderam estar do MJ no Rock in Rio foi quando o artista cover Rodrigo Teaser se apresentou no palco Digital Stage em 2017, em um tributo que emocionou o público. Durante nove edições do festival, o que poderia restar ao Medina seria tentar, para não dizer que nunca tentou. Mas, com certeza, Michael responderia com aquela timidez peculiar e aquela voz fina: “This is it”.


você também pode curtir

Paul McCartney

O eterno beatle não parece ser averso aos festivais. Em 2022, tocou no Glastonbury, em Londres, pela segunda vez (a primeira foi em 2004). Também adora o Brasil e sempre que pode dá as caras por aqui. Mas, curiosamente, Roberto Medina nunca o trouxe para o Rock in Rio, o que é um baita desperdício histórico, afinal assistir McCartney é quase como estar num show dos próprios Beatles, pois no setlist ele costuma acrescentar muita música do repertório dos garotos de Liverpool.

McCartney tem 80 anos, mas ainda está inteiraço e não pensa em parar de compor e fazer shows. Por isso, Medina tem a obrigação histórica – assim como fez com The Who – de investir pesado na vinda do beatle ao Rock in Rio na próxima edição.

Pink Floyd

A primeira explicação do motivo pelo qual a banda mais icônica do rock progressivo não ter costume de tocar em festivais (sobretudo a partir do álbum “The Dark Side of the Moon”) talvez esteja na própria estrutura de palco da banda. Quem conhece o espetáculo do Pink Floyd sabe que a iluminação e o cenário são partes fundamentais para as canções que se desenrolam durante o show como um roteiro de filme. Sendo assim, um palco padronizado não cairia bem para as pretensões da banda. Um exemplo clássico é o megalomaníaco show The Wall feito por Roger Waters (já em carreira solo) em Berlin no ano de 1990, em que uma gigantesca parede vai sendo erguida no palco durante a execução das músicas.

Sim, nós sabemos que os palcos do Pink Floyd ficaram menos suntuosos. Sabemos também que a banda encerrou as atividades em 2014 com o 15º e último álbum de estúdio, The Endless River, e a partir de então o que temos são as carreiras solos de Roger Waters e David Gilmour. Porém, ambos continuam tocando os clássicos da banda. E se por um lado é improvável que Waters e Gilmour reúnam o Pink Floyd novamente como fizeram em 2005 no festival Live 8, por outro lado o Rock in Rio, se quiser mesmo fazer jus ao nome, deve insistir em trazer pelo menos um dos dois.

Pearl Jam

Depois do Nirvana, é sem dúvida a banda mais popular e influente do grunge que chegou ao mainstream. Lota estádios por onde passa, emplacou hits eternos na história do rock e reuniu fãs em todo o planeta. Contudo, não sabemos por que Eddie Vedder, Mike McCready, Stone Gossard e Jeff Ament ainda não tocaram no Rock in Rio. Aliás, das quatro bandas mais famosas do grunge, apenas Alice in Chains se apresentou no Palco Mundo (2013). O novo vocalista William DuVall até que canta bem, mas não é o Layne Staley, vamos combinar.

Rolling Stones

Em 2021 fomos surpreendidos pela morte do baterista Charlie Watts, aos 80 anos. Desde então os fãs aguardam os próximos passos dos dinossauros do rock. Será que contratarão um novo batera ou encerrarão a trajetória? São 60 anos de carreira desde aquele 12 de julho de 1962, quando eles fizeram a primeira apresentação no Marquee Club, uma casa noturna na Oxford Street, em Londres (ainda sem Charlie Watts e Ron Wood). Em seis décadas, os Stones nunca passaram pelo palco do Rock in Rio, mas fizeram 12 shows no Brasil (cinco em 1995, dois em 1998, um em 2006 e quatro em 2016). A propósito, o show de 2006 ficou marcado na história por ter levado cerca de 1,5 milhão de pessoas à Praia de Copacabana. A apresentação se tornou o álbum “A Bigger Bang: Live on Copacabana Beach”.

The Strokes

A icônica banda de indie rock de New York tem sido bastante detonada por causa das recentes performances em festivais após a pandemia. O principal motivo seria a falta de empolgação no palco, principalmente do vocalista Julian Casablancas. Ele até já respondeu aos fãs nas redes sociais. Mas, se o retorno está decepcionando, isso não apaga a relevância histórica dos Strokes, considerados por uma parte da crítica musical a banda que ressuscitou o rock and roll nos anos 2000.

Muita gente considera que o rock voltou a ganhar relevância midiática após “Is This It”, primeiro álbum dos Strokes, que geralmente figura em listas dos principais da história. Foi esse disco que catapultou os novaiorquinos descolados para o panteão dos grandes, multiplicou seu público, influenciou a sonoridade e a estética do novo indie e atribuiu a eles uma aura quase messiânica. Gostem ou não, é inegável que The Strokes marcou seu nome na história do rock e virou gente grande.

U2

Dizem que Bono e companhia não se apresentam em festivais (embora tenham tocado no Live Aid e no Glastonbury). É uma pena! Ajudaria a politizar o line-up do Rock in Rio no Palco Mundo, onde a massa se concentra. Já imaginaram um show do U2 em pleno 2022, dadas as tenebrosas circunstâncias políticas do país? O coro “Ei, Bolsonaro, vai tomar no cu” seria um espetáculo à parte.

Menção honrosa: Nirvana

A segunda edição do Rock in Rio ocorreu em janeiro de 1991. Na época, o álbum “Nevermind”, que tornaria o Nirvana um fenômeno global, ainda não havia sido lançado (isso acontece em setembro daquele ano). Logo, é compreensível que o Roberto Medina não tenha ficado atento àquela banda – ou àquela cena chamada grunge – que surgia em Seattle no início da década. Kurt Cobain, Krist Novoselic e Dave Grohl só ascenderam ao mainstream após “Nevermind”. Foi então que eles vieram ao Brasil para dois shows em 1993, no extinto Hollywood Rock, festival com mais apreço pelas bandas alternativas ou que, pelo menos, um dia foram alternativas. O Rock in Rio, por sua vez, é a casa do mainstream, pelo menos no palco principal.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *