Se aventurando no corre da música há apenas seis anos, a cantora maranhense Emanuele Paz é um talento que deve ser conhecido e reconhecido para além dos palcos de São Luís. A baixinha tem estatura artística gigante e uma envergadura política (no sentido social da arte) que a faz brilhar intensamente quando canta, mesmo se algumas nuvens de temores e incertezas ainda pairem. Porque, sim, existe um Lado B em todos nós, e o da Emanuele a gente explorou um pouquinho num papo que tivemos para essa matéria, cujo principal objetivo é divulgar seu novo show que se chama “Lado B” e já está na 5ª edição.

“Lado B surgiu muito da minha necessidade de ocupar espaços onde eu pudesse fazer um repertório mais diferenciado do que, comumente, a gente escuta aqui nos barzinhos e nos shows”. Assim Emanuele inicia explicando de onde partiu a ideia de interpretar mulheres icônicas da música brasileira e mundial, incluindo artistas maranhenses, dos mais variados gêneros musicais. Em “Lado B”, as canções ganham performances intimistas e também vigorosas na voz, no carisma e na paixão pela música que Emanuele emana quando está no palco. “Foi uma oportunidade para colocar as minhas referências, que são canções que geralmente eu canto só em casa, e aí eu queria colocar essas músicas pra jogo”, acrescenta.
Após a primeira edição do projeto, que aconteceu no Secreto Bosque, o feedback foi positivo e as pessoas começaram a pedir outros shows. Em cada edição Emanuele renova o repertório. Agora ela canta mulheres da música brasileira e latino-americana, fazendo uma celebração às línguas portuguesa e espanhola. “Lado B – 5ª Edição” acontece no Xama Teatro, no dia 6 de maio.

Entre trabalhos paralelos porque ainda não dá pra viver só de música, Emanuele segue alimentando seus sonhos. No entanto sonhar é, antes de tudo, um gesto de resistência. Por isso, no corre da vida, o Lado B da mulher e da artista Emanuele Paz segue se esforçando para enfrentar e resistir às tramas e covardias dos sistemas capitalista, político (este, sim, no pior sentido) e patriarcal. Por isso ela admite que ainda não é possível afirmar com certeza que a música é um caminho sem volta.
“Te confesso que, às vezes, eu acho que não. É muito por conta do que a gente passa sendo músico, por conta das dificuldades. Só que eu desejo que seja, porque eu quero trabalhar com música. Mas a vida, às vezes, não permite”.
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Tem um vídeo seu aonde na legenda você agradece pela parceria com a banda Cofo de Parafernalha. Nele você diz o seguinte: “Que a gente continue furando esse sistema e fazendo muita arte”. Está dando para furar o sistema?
“Eu ainda tenho dificuldade de ocupar espaços, muito por conta de um sistema que existe. Isso vai se atrelar, inclusive, ao próprio sistema capitalista, porque acaba colocando as pessoas num modo de produção em que a gente não tem possibilidade de expressar certas coisas da maneira que a gente gostaria, e isso é uma parada que me afeta muito. Desde que eu comecei no Casarão Verde, a gente sempre teve uma cultura de falar as coisas que incomodam mesmo, porque a arte é para incomodar, é para dialogar com problemas que a gente vive”.

Você esteve com a banda Cofo de Parafernalha no show “Montoeira Musical”. A Cofo é uma banda que também reflete sobre cenários sociais. Você acredita que é na coletividade dos artistas de São Luís que se pode contra-atacar o sistema?
“A Cofo de Parafernalha é uma banda que tem todas as suas essências e referências pautadas no povão. É um cofo cheio de parafernalha, só que essa parafernalha também é útil, também faz sentido. E se tu for parar para prestar atenção nas letras, falam sempre sobre o sistema, sobre o poder do povo, isso é algo em que eu acredito muito. É muito difícil ocupar espaços. Mas quando a gente ocupa, a gente tem a obrigação de se posicionar”.