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Autor: laricamagazine

Redator por profissão, cartunista por afronta e poeta por insistência. Nasceu em Cajazeiras, na Paraíba, e cresceu em São Luís do Maranhão. Passou por Pernambuco antes de se fixar em João Pessoa. Mas nunca se sabe até quando. Fundou a Larica Magazine em 2019.
“Extinção” aborda crise climática em distopia no Sertão da Paraíba
Cinema

“Extinção” aborda crise climática em distopia no Sertão da Paraíba

Quem se compromete a produzir cinema independente no Brasil tem consciência do tamanho do desafio que vai encontrar pela frente. E quem opta pela ficção científica, gênero ainda pouco explorado pelos cineastas brasileiros, elevou ainda mais o nível de ousadia. Embora a gente já tenha percebido que as produções brasileiras de ficção científica estão crescendo (e temos que reconhecer que parte disso é graças ao advento das empresas de streaming), esse gênero ainda está engatinhando no país, se comparado a outros. E se a ficção científica for produzida no Sertão nordestino, essa gente já merece um Oscar. Estamos falando de uma equipe de apaixonados pelo audiovisual na Paraíba que está produzindo a primeira ficção científica distópica cyberpunk do Sertão do estado. Com direção de Eriko Rena...
Banda Arlequim estreia nas plataformas com as primeiras faixas autorais
Música

Banda Arlequim estreia nas plataformas com as primeiras faixas autorais

Finalmente a banda Arlequim dá o ar da graça no streaming, esse destino quase inevitável para quem faz música hoje em dia. Duas canções autorais já conhecidas do público que acompanha a banda nos shows, mas que nunca haviam sido gravadas em estúdio, agora estão disponíveis em cinco plataformas digitais. Uma terceira será lançada no dia 17 de março, completando esse intervalado “EP”. Seria isso um prenúncio do primeiro álbum da banda paraibana? É possível que sim. Afinal, estivemos conversando com o guitarrista Vandilson Lima e ele nos confidenciou que a banda está compondo e já se prepara para voltar ao estúdio. Sendo assim, futuramente poderemos ter um EP maior ou até mesmo um álbum. Vandilson explica que nas novas composições há um envolvimento mais coletivo entre os membros. “As n...
Tempo e existência na leitura de 7 poemas de Nágila de Sousa Freitas
Literatura

Tempo e existência na leitura de 7 poemas de Nágila de Sousa Freitas

Quando terminamos de ler “O Poema é mais belo que o título”, segundo livro de poesia da cearense Nágila de Sousa Freitas (31), publicado em 2020 pela Editora Arribaçã, tivemos muita dificuldade para selecionar apenas sete poemas que consideramos arrebatadores para postar aqui, dada a quantidade de poemas que nos arrebataram ao longo de 95 páginas. Para facilitar nossas escolhas, definimos um critério: poemas que dialogam com o momento que estamos vivendo. Mas, afinal, o que seria um poema arrebatador? Em síntese, um poema arrebatador é um tapa na cara seguido de vertigem. E parece que Nágila não sabe ser meio termo. Gostamos quando o ofício de escrever não é apenas um afago na alma, mas também um dedo na ferida. E mesmo quando Nágila parece aliviar a pressão sobre a fissura, é inegáv...
“A melancolia de Ants From Up There mudou a minha vida”, por Joalison Duarte
Música

“A melancolia de Ants From Up There mudou a minha vida”, por Joalison Duarte

Durante o ensino médio eu criei um hábito peculiar. Sempre que possível, no caminho de ida para as minhas obrigações rotineiras (meu purgatório cotidiano), eu me esforçava para ouvir um álbum ou alguma playlist com músicas desconhecidas, aproveitando as indicações do algoritmo. Me orgulhava em completar aquele trajeto de pouco mais de uma hora descobrindo algo novo e me sentindo o pioneiro do bom gosto entre as pessoas da minha idade, como um típico adolescente. Depois dessa fase conturbada, veio também a pandemia e o distanciamento social que empurrou para dentro das casas a maioria das pessoas, exceto trabalhadores essenciais e bolsonaristas - figuras antagônicas. Essa mudança brusca no comportamento desencadeou novas formas da gente lidar com as nossas frustrações. Ter o contato entr...
Banda Pedecoco coloca a ‘polícia’ pra dançar em “Baile Underground”
Música

Banda Pedecoco coloca a ‘polícia’ pra dançar em “Baile Underground”

Meter o pé na porta e acabar com a curtição, melar o esquema, matar a vibe, jogar água no shope, dar descarga na erva, desmanchar a patota… A gente já sabe que tudo isso é especialidade da polícia. Mas dessa vez nem os fardados resistiram ao clima dançante do Baile Underground da banda Pedecoco. No roteiro do novo vídeo clipe, o que poderia ser mais um típico baculejo repressivo, virou festa de toda cor. Mas é claro que isso tudo é encenação. Os policiais na história são interpretados por Marcos Vinicius (guitarra) e Everton Cavalcante (baixo). No novo single, a banda de reggae de João Pessoa experimenta alguns elementos eletrônicos que caracterizam ritmos dançantes do momento. Embora o “reggae natural” ainda seja a marca da Pedecoco, o arranjo do novo single convida para a pluralidade ...
Jardel de Castro mergulha na carreira solo para lançar seu primeiro single
Música

Jardel de Castro mergulha na carreira solo para lançar seu primeiro single

O mar é inspiração para poetas, músicos e filósofos desde que o homem começou a externar essa estranha coisa chamada arte. E essa inspiração não se esgotará tão cedo, afinal ainda existem mistérios inexplorados e talvez inexploráveis na imensidão plana e nas profundezas dos mares. O mar tantas vezes cantado por Caymmi (é doce morrer no mar); tão paradoxal na metáfora do Djavan (sabe lá o que é morrer de sede em frente ao mar); o mar que é leito e cura para Renato Russo (eu deixo a onda me acertar e o vento vai levando tudo embora)… Enfim, são muitos os mares que desaguam no primeiro single da carreira solo do piauiense Jardel de Castro, embora ele resida em Teresina, uma das capitais brasileiras que não têm litoral. A canção “Mar” foi lançada no final de 2022, mas o vídeo clipe saiu ...
O escritor Felipe Costa Cruz estreia na Larica Magazine com o conto “Corredor Onze”
Literatura

O escritor Felipe Costa Cruz estreia na Larica Magazine com o conto “Corredor Onze”

O que diabos é que motiva esse guri a urinar nas covas? Por que ele faz isso? Vem quase todos os dias e manda ver. Mija numas quatro, cinco lápides… acho que seu recorde foi sete. Fico olhando de longe. A primeira vez que vi, reclamei: ô, moleque! Para com isso, rapaz! Ele saiu correndo. Não fui atrás, não. Tenho um problema na perna que me impede de andar direito. Mas o menino… moço! Que peste! Todo dia, no mesmo horário, ele vem com essa; já sei onde estuda – veste sempre uma farda. Provavelmente o cemitério é caminho da sua casa… ou será que faz um desvio proposital, o peralta? Não sei, realmente. Mas percebi que ele rega sempre as mesmas sepulturas, se é que eu posso dizer isso; notei lá pela quinta vez que a coisa não era aleatória, existiam prediletos: os últimos defuntos do corredor...
Pearl e Maxine, novas ícones do terror na franquia de Ti West
Cinema

Pearl e Maxine, novas ícones do terror na franquia de Ti West

Um grupo de jovens, acompanhado de um tutor experiente, chega a uma propriedade rural bucólica e sombria para curtir um fim de semana regado a sexo e drogas, quando de repente começa uma chacina inescapável. Essa não é exatamente a premissa do enredo de "X – A Marca da Morte" (2022), mas é a premissa que marcou o gênero de horror slasher no começo dos anos 1980, sobretudo na franquia "Sexta-Feira 13", e de lá pra cá já foi utilizada quase à exaustão, com uma ou outra variação de cenário e trama. Contudo, em "X – A Marca da Morte", o diretor e roteirista Ti West prova que essa quase exaustão foi um cuidado meu necessário. Ao ver "X", tive a impressão que essa premissa clássica oitentista está no roteiro de West como tributo. Assim, o diretor embarca em uma das ondas cinematográficas do mome...
No dia do rock, listamos 13 bandas que nunca tocaram no Rock in Rio
Música

No dia do rock, listamos 13 bandas que nunca tocaram no Rock in Rio

Entre críticas e elogios, entre acertos e vexames, o Rock in Rio Brasil chega à sua 9ª edição em 2022 ainda como o maior festival de rock e pop do país e um dos maiores do mundo. De 1985 - ano da primeira edição - até 2019, passaram pelo palco principal algumas das atrações mais icônicas da música mundial, sobretudo levando em consideração cada época. Por outro lado, há uma lista de bandas e artistas gigantes que nunca se apresentaram no festival do empresário Roberto Medina. Puxamos pela memória pelo menos 13 super atrações que nunca subiram no Palco Mundo. Uma delas – talvez a maior de todas – não está mais entre nós. Outras só poderão vir se tivermos improváveis reuniões, afinal as bandas já acabaram. Com exceção do U2 e da Lady Gaga (cujas respostas nós já temos), os motivos do senh...
“O amor de trás pra frente”, por José Wilamy Cosme Rabêlo
Literatura

“O amor de trás pra frente”, por José Wilamy Cosme Rabêlo

Ele conhecera o amor. Mas, às vezes, chorava de medo. Era tão bom tudo aquilo. Achara um delírio, uma ilusão, um sonho lindo. Seu amor era um livro escrito na solidão das memórias, dos mais doces encontros, da saudade feroz das paixões proibidas, das lágrimas tristes derramadas dos olhos. Algo singular era o amor para ele. Tratava-o sempre com muito zelo e respeito, e desse modo achava-o divino. O sonho de sua vida foi encontrá-lo. Sentia-o perto, mas ainda não tinha acendido aquela chama em seu espírito, o fogo que acende e aquece a vida. Ouvia muitas histórias de quem não soube amar, dos que se amaram e amando enrugaram-se os corpos, as feições; o tempo já havia roubado muitas estações, mas o amor permanecera. O amor de dentro para fora jamais fora vencido. Muitos lembravam desse amor...
Cajazeiras, no Sertão da Paraíba, realiza sua primeira Parada LGBTQIA+
Sociedade

Cajazeiras, no Sertão da Paraíba, realiza sua primeira Parada LGBTQIA+

Pelo quarto ano consecutivo, o Brasil é o país que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo, de acordo com o novo relatório do Observatório de Mortes e Violências contra LGBTQI+ divulgado em maio de 2022. Só em 2021, foram 316 crimes motivados por LGBTfobia, sem contar a subnotificação. Se levarmos em conta somente os assassinatos de travestis e pessoas trans, o país está há 13 anos consecutivos no topo da lista. Ser pessoa LGBTQIA+ no Brasil é lutar para sobreviver todo dia. É sair de casa com a aterrorizante chance de não voltar viva. Muitas vezes é não ter sequer um lar. E para piorar, é ter que enfrentar nos últimos quatro anos um governo homofóbico e sanguinário. No meio desse extermínio estrutural, engajar-se ao invés de esconder-se é uma forma não só de resistir, mas principalmente de...
A tatuadora Larissa Gabriel mostra as veias abertas do seu estilo minimalista
Artes Visuais

A tatuadora Larissa Gabriel mostra as veias abertas do seu estilo minimalista

Certa vez, em meados de 2016 ou 2017, encontrei Larissa por acaso passeando com seu cachorro em frente à quitinete onde eu morava no centro de Cajazeiras. Sentamos num banquinho de praça no largo da prefeitura e papeamos durante uma hora. Naquela época Larissa já dava sinais de que seu destino seria além-sertão. Seus dias nessa pequena cidade estavam contados, ainda que ela não previsse ou desejasse o futuro. Seu olhar fugaz e seu caminhar sem pressa disfarçavam o que estava por trás: a necessidade iminente de se descobrir e se realizar. Foi aí que Larissa partiu rumo à capital, alugou apartamento, cursou Design de Interiores (mas nunca exerceu a profissão) e se tornou tatuadora. Desde então vem desenvolvendo um estilo marcado pelo traço minimalista que transita entre o rabisco, o esboç...
A paulistana Phi Pereira indica “O Apanhador no Campo de Centeio”
Literatura

A paulistana Phi Pereira indica “O Apanhador no Campo de Centeio”

Algumas vezes penso que tudo podia ser explicado usando cores. Quando toco a nota Lá, posso dizer até que vejo a cor rosa. Já quando escuto um Dó, certeza que é azul. Comentei uma vez sobre isso com um dos muitos professores de música que já traumatizei. Na época ele respondeu algo sobre deixar isso de lado porque existem regras e tentar inovar só iria dar trabalho para outras pessoas, isso se eu chegasse a fazer parte de uma banda. Concordando ou não, felizmente ou não, não cheguei nessa etapa, por isso meu contrabaixo teve uma aposentadoria prematura, muito por falta de empenho da minha parte ou falta de talento, por mais que eu não seja tão fã dessa palavra. E “O Apanhador…” nisso tudo? Bem! Acredito que é possível saber muito sobre alguém através dos seus livros preferidos. Esse é o...
A história do Clube da Esquina e seus 50 anos de estrada
Música

A história do Clube da Esquina e seus 50 anos de estrada

Depois de anos cantando sonhos, esperanças e amores, Milton Nascimento anunciou sua aposentadoria da carreira artística. Também recentemente, um dos discos lançados por Milton, o famosíssimo Clube da Esquina, foi considerado o melhor disco brasileiro de todos os tempos. Tal escolha foi parte de uma super votação realizada pelo podcast Discoteca Básica, do escritor e pesquisador musical Ricardo Alexandre. Dito isto, com todos esses acontecimentos, o Clube da Esquina vem se tornando um dos discos mais falados nos últimos meses. Então, como uma homenagem à carreira do gigante da música brasileira, chegou a vez de saber um pouco mais sobre esse disco que também é gigante. Lançado em março de 1972 por Milton Nascimento e Lô Borges, ele é repleto de sucessos e histórias pra contar. No vídeo a...
“Wolf” utiliza a disforia de espécie como gatilho para transcendermos
Cinema

“Wolf” utiliza a disforia de espécie como gatilho para transcendermos

Em algum momento você já deve ter lido ou ouvido falar que somos produtos do meio em que vivemos, ou seja, o convívio em sociedade nos molda e orienta a nossa percepção do que, em tese, nós somos e de como devemos nos comportar. Seria uma espécie de “teoria do Tarzan”: se você for criado por macacos em uma ‘sociedade’ de macacos, acreditará que é um macaco e viverá como tal. Acontece que esse pensamento ignora certas transcendências que permeiam nossa vida e com as quais estamos lidando cada vez mais naturalmente. Por exemplo: transcender a estrutura biológica para além da definição binária de sexos, como é o caso das pessoas transgênero, desafia certas premissas sociais. Uma pessoa transgênero, cedo ou tarde, transcenderá para além do corpo em que nasceu, não importa em que contexto socia...